“Social games” estão cada vez mais populares na internet

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Os gráficos, nem de longe, lembram os dos videogames mais modernos. A dificuldade e a jogabilidade também não podem ser consideradas grandes feitos das indústrias de diversão. Mesmo assim, os jogos criados para redes sociais vêm arrebatando legiões de fãs cada vez maiores em todo o mundo.

O sucesso é tanto que alguns usuários têm ignorado as outras possibilidades que sites de relacionamentos oferecem e passam horas entretidos com os chamados “social games”. Redes como Facebook, MySpace e Orkut – que abriga o maior número de usuários brasileiros de toda a rede – agregaram novos valores com o desenvolvimento desses recursos.

Vale tudo para atrair a atenção dos internautas e mantê-los conectados por mais tempo. Os jogos apresentam temas que envolvem ação, aventura, esportes e simulações de situações da vida real. A interação com outros usuários nos games é outro atrativo que garante milhões de usuários todos os dias.

Com o objetivo de conquistar a fidelidade dos jogadores, o acúmulo de dados nos cadastros dessas ferramentas é tratado como um verdadeiro tesouro pelas empresas. Os 60 milhões de contas ativas registradas motivaram a venda da Playfish, produtora de 10 títulos para redes sociais, por US$ 275 milhões, para a gigante dos games Eletronic Arts, em novembro.

Dois dos jogos mais populares das páginas de relacionamentos reúnem uma média de 100 milhões de jogadores por mês. Um deles é o FarmVille, plataforma que permite ao usuário gerenciar uma fazenda virtual. O aplicativo é o mais utilizado no Facebook, com cerca de 70 milhões de internautas jogando somente no mês de novembro. O outro jogo, Mafia Wars, foi frequentado por 30 milhões de pessoas no mês passado. Ele traz o desafio de, no mundo do crime, comandar uma família de mafiosos, que ganham respeito conquistando fama e dinheiro.

O consultor em mídias digitais e redes sociais Ian Black explica que as pessoas sempre utilizaram a internet para o entretenimento, especialmente, por meio de jogos. Foi por isso que as empresas do segmento enxergaram, nas redes sociais, uma oportunidade valiosa de aumentar o leque de opções do mercado.

Dessa maneira, o investimento no desenvolvimento de novos títulos está cada vez maior. Mais do que uma tendência, segundo o especialista, essas ferramentas são uma realidade dentro da rede mundial de computadores e o crescimento do ramo, nos próximos meses, deve ser acelerado.

Diversão garantida

Ricki Lustosa, 21 anos, estuda desenho industrial na Universidade de Brasília. A paixão por jogos eletrônicos foi um dos principais motivos que levou o jovem a escolher a futura profissão. Há dois meses, ele descobriu o universo dos social games e, desde então, não deixa de jogar um dia sequer.

Mafia Wars, o predileto dele, proporcionou, além de horas de diversões, novas amizades com usuários do Facebook. Até internautas de outros países passaram a ingressar a rede de contatos de Lustosa, que destaca o recurso da interação com outras pessoas como grande trunfo da ferramenta.

“Também acho legal o fato de ser um jogo simples, mas instigante. Outro ponto positivo é que eu posso continuar o jogo quando quiser, não tem aquela loucura dos videogames de precisar passar horas para terminar cada fase. Eu entro no endereço eletrônico quando estou com tempo e saio quando quero, sem me preocupar com a continuidade do game”, afirma o estudante. “Entrei de férias há pouco tempo e admito que tenho gastado boa parte delas jogando Mafia Wars e procurando outras opções no Facebook”, completa.

Por influência do irmão e de amigos como Ricki Lustosa, a veterinária Natália Cardoso, 23 anos, procurou jogos nas redes sociais que frequenta. Interessou-se por Mafia Wars e FarmVille e, desde novembro, diverte-se encarnando uma fazendeira e uma mafiosa.

Para ela, que sempre gostou de videogames, jogar sem precisar se desconectar dos sites de relacionamentos é uma grande vantagem nos social games. “Eu não converso com pessoas que não conheço enquanto estou jogando, mas gosto muito de interagir com os meus amigos que estão conectados e participando dos mesmos games que eu”, ressalta.

Gráficos ruins

De acordo com Renata Cardoso, no entanto, os jogos feitos para as redes sociais ainda têm gráficos muito simples, que lembram videogames que ela tinha quando ainda era criança. “São jogos muito simplórios, realmente, e os gráficos chegam a ser toscos, em alguns casos. Não sei direito o que me chamou a atenção, já que estou acostumada com aparelhos que reproduzem imagens melhores, mas estou gostando tanto desses aplicativos que tenho procurado outros títulos”, revela a veterinária, que tem frequentado o título Vampires.

Ian Black diz que os gráficos não devem receber grandes melhorias em um futuro próximo, por dificuldades técnicas da rede mundial de computadores. Segundo o consultor em mídias digitais e redes sociais, os games com imagens bem apuradas ainda são muito pesados e a gigantesca quantidade de usuários conectados sobrecarrega o sistema, o que pode deixar a conexão bastante lenta. As empresas que gerenciam as redes sociais gastam um valor altíssimo para manter a navegabilidade com uma velocidade que os internautas consideram satisfatória.

“É preciso observar que a criação das redes sociais revolucionou o modo de comunicação no mundo. O Orkut, por exemplo, é um fenômeno incrível no Brasil. Era uma tendência natural que jogos fossem inseridos nessas plataformas, ainda mais com a popularização de outros endereços eletrônicos no nosso país, como o Facebook e o MySpace. Por isso, podemos acreditar que também é uma tendência natural que surjam outros aplicativos e que os atuais evoluam com o tempo”, prevê Black.

Empresa de referência

A empresa americana Eletronic Arts (EA) é a segunda maior produtora de jogos para computador e videogame do mundo. Desde que foi fundada, em 1982, lançou títulos que se tornaram verdadeiros clássicos para os viciados em games. The Sims, Need For Speed e NBA Live são alguns dos jogos que elevaram a EA ao patamar de referência entre as indústrias de diversão.

Os 10 jogos mais acessados no Facebook (por mês)
1º FarmVille 69,3 milhões
2º Café World 30,9 milhões
3º Happy Aquarium 29,4 milhões
4º Mafia Wars 28,8 milhões
5º FishVile 21,8 milhões
6º PetSociety 21,6 milhões
7º Texas HoldEm 19,8 milhões
8º YoVille 19,2 mihões
9º Farm Town 18,4 milhões
10º Restaurant City 17,1 milhões

Fonte: Correio Brasiliense

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