O que você sempre quis saber, mas tinha medo de perguntar

Você talvez ainda não tenha ouvido falar do novo auê nas redes sociais. Não se culpe: o Formspring.me apareceu no começo da semana passada e, ao longo dela foi ganhando adeptos no Brasil de maneira surpreendente: de acordo com dados fornecidos pelo site, já somos a segunda maior fonte de tráfego do Formspring.me, depois dos EUA. Isso explica a lentidão que atingiu a rede social nos últimos dias.

A premissa do Formspring.me é simples e curiosa: ao criar uma conta no site, você recebe um endereço com uma caixa de formulário em que as pessoas podem fazer perguntas, anônimas ou não. A maioria, contudo, prefere não se identificar. A brincadeira lembra, de certa forma, aqueles cadernos de perguntas capciosas que rodavam nas mãos dos jovens nas escolas até o fim dos anos 90 (e que provavelmente foram mortos pelas redes sociais – será?), mas com o benefício do anonimato.

É possível seguir o perfis e acompanhar as respostas de quem lhe interessa. E é só. Por enquanto, o Formspring.me não permite coisas simples, como busca, nem reconhece links.

Parece sem graça. Mas responder às perguntas acaba viciando, dizem os adeptos. “No Twitter a gente se expressa, se expõe. Mas é um exercício mais solitário, individual”, diz o consultor para redes digitais José Câmara, o Ian Black, que criou o perfil no meio da semana passada e respondeu a cerca de 20 perguntas. Para ele, o prazer do Formspring.me está em perceber o interesse das pessoas por você através de palavras. “No Twitter, você só mede esse interesse por números (o de seguidores)”, completa. Ele não nega o narcisismo que a atividade envolve. E resume a nova mania como uma mistura de “caderno de enquete com o conceito invertido” e “FAQ natural”.

Além da diversão, outras pessoas já começaram a explorar possibilidades mais produtivas na rede social. O escritor João Paulo Cuenca, por exemplo, está colocando em prática um experimento: quer escrever um livro colaborativo usando as perguntas e respostas de seu Formspring.me. E o Link já criou seu perfil, que está à disposição para responder dúvidas sobre tecnologia.

A rede social surgiu de uma demanda dos usuários dos serviços da Formspring.com, aplicativo de web especializado em permitir que as pessoas criem qualquer tipo de formulário para pesquisa ou coleta de dados. O gerente de marketing da Formspring, Chris Lucas, diz que há meses a empresa notou que os usuários estavam criando caixas simples de comentários para inserir em seus blogs e convidando os visitantes a fazer comentários e perguntas anônimas. “Observamos esse movimento crescer e pensamos que poderíamos destinar melhor esse tipo de uso criando um site separado, especificamente para isso”, explicou Lucas.

Ele argumenta que a graça do Formspring.me está em falar de si mesmo sabendo que existe alguém interessado naquela informação. “Em muitas redes sociais, você escreve coisas que são exibidas para sua lista de amigos ou seguidores, mas não tem certeza de que eles estão interessados ou acompanhando. O Formspring.me encoraja a conversa e cria a oportunidade de aprender mais sobre amigos (ou negócios) do que você em outros meios”.

O grande questionamento envolvendo o Formspring.me é se o site vai vingar ou se o formato é esgotável. Afinal, cedo ou tarde, as principais curiosidades sobre a vida dos seus contatos já terão sido respondidas. Para Ian Black, a ferramenta deve se reinventar para evitar a repetição de perguntas ou permitir comentários nas questões. Lucas, da Formspring.com, diz que as pessoas vivem publicando informações novas e isso dá origem a novas dúvidas. Mas só o tempo dirá qual o destino do Formspring.me.

 Fonte: Estadão

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