Flavia Vianna: ‘ainda falta cultura de web às empresas, aos clientes e às agências

 

Flavia Vianna, publicitária, sócia e diretora de arte da Trafor Comunicação
Interessante entrevista com a publicitária Flavia Vianna sobre a gestão da Internet nas empresas.

O universo corporativo tem aumentado seu relacionamento com os stakeholders com o auxílio da internet. Mas o desempenho é ínfimo se comparado às possibilidades que as novas ferramentas de comunicação permitem. Essa é a opinião de Flavia Vianna, publicitária, sócia e diretora de arte da Trafor Comunicação.

O Nós da Comunicação entrevistou a executiva. Além do posicionamento organizacional com relação às mídias sociais, ela analisou também temas como as inter-relações criadas na rede, a participação governamental para a inclusão digital e previu a criação de uma ciência específica para estudar todo esse fenômeno. Confira a íntegra da conversa abaixo.

Nós da Comunicação – O fato de estarmos vivendo na era da internet com a explosão das mídias sociais quer dizer que as pessoas estão se comunicando melhor?
Flavia Vianna –
Se comunicar melhor envolve a diminuição dos níveis de ruído na troca de informações entre duas ou mais pessoas e o potencial efetivo de alcance da mensagem. A era 2.0 e o boom das mídias sociais têm o potencial de otimizar ao máximo a eficácia de uma comunicação eficiente, principalmente com ações bem feitas de cross media. Por outro lado, esse aumento de possibilidades de comunicação amplia também o cenário para que novos e desconhecidos ruídos se apresentem.

Ou seja, o que acaba qualificando a comunicação é o domínio das formas e ferramentas que a pessoa (física ou jurídica) detém. Quanto maior o domínio desse conhecimento, maior o controle profilático sobre eventuais ruídos e maior a capacidade pessoal de tirar proveito da potencialidade do ambiente web. Nunca as possibilidades de comunicação foram tão intensas e amplas na história da humanidade. A internet é um ambiente de comunicação de muitos para muitos, no qual podemos trocar ideias, debater, gerar conteúdo, informações e conhecimento. Seu potencial é infinito. O desafio é saber aproveitar isso com competência e comunicabilidade eficiente.

Nós da Comunicação – Como você analisa o atual estágio de nossos relacionamentos?
F. V. –
Estamos em um estágio de competição diária entre qualidade x quantidade das nossas inter-relações. As possibilidades de comunicação aumentaram de uma forma tal que podemos nos relacionar com um número incrível de pessoas ao mesmo tempo. Isso gera aumento significativo na quantidade dos relacionamentos, mas não necessariamente da qualidade dessas relações. E, neste ponto, não podemos cair na superficialidade de uma generalização dualista desse aspecto. É simplista afirmar que uma pessoa que se relaciona com muitas pessoas só consegue gerar relacionamentos superficiais. Da mesma forma que a qualidade dos relacionamentos que mantemos não depende da quantidade de pessoas com as quais nos relacionamos.

Uma pessoa com tendência para autismo social vai ter dificuldade de relacionamentos mais profundos em um círculo de inter-relações amplo ou restrito. Já uma pessoa que tem como valor pessoal a qualidade de seus relacionamentos consegue cultivar e se dedicar a eles.

Nós da Comunicação – É possível a criação de vínculos importantes entre as pessoas a partir de conexões realizadas pela internet?
F. V. –
Ainda este mês tive um exemplo prático de que não só é possível criar esses vínculos via conexões web, como também é possível retomar vínculos importantes entre pessoas através da utilização de redes sociais na internet. Foi com base em uma ação de marketing de guerrilha envolvendo Twitter, blogs e mídias espontâneas que tive a oportunidade de entrar novamente em contato com amigos de faculdade que não mantinha contato há mais de dez anos. A ideia da parceria de trabalho surgida a partir de trocas de posts via Twitter me reaproximou de amigos queridos e, de quebra, me presenteou com a adição de novos amigos que passei a conhecer por causa do trabalho em conjunto. Além disso, somos testemunhas diárias de novas relações de amizade e parceria que tiveram sua gênese em algum contato via internet. Hoje, posso dizer que mantenho relações de amizade reais e vínculos profissionais fundamentais com pessoas que conheci em redes sociais.

Nós da Comunicação – Como a publicidade tem aproveitado a explosão das mídias sociais?
F. V. –
Acho que a publicidade ainda está aproveitando um potencial ínfimo das mídias sociais. Apesar de haver um aumento significativo de ações via web e de adesão corporativa, ainda faltam cultura de web e desmistificação do mundo 2.0 por parte dos clientes, das empresas e das agências com relação a isso. Ainda vemos grandes empresas restringindo a navegação na internet para seus funcionários. Isso é censura branca e miopia corporativa. Mas existe, infelizmente.

Nós da Comunicação – Em sua opinião, governos e empresas estão sabendo criar corretamente vínculos sustentáveis com seus públicos? Se não, que atitudes deveriam tomar para mudar a situação?
F. V. –
Não vejo muita dedicação ainda nesse sentido. Com relação ao governo, me soou um pouco demagógica a iniciativa da estatal que seria criada para levar fibra ótica a comunidades carentes e ampliar a possibilidade de conexão da parcela mais pobre da população. Acho a ação válida. Mas sustentabilidade efetiva seria criar condições de inclusão digital real para essas comunidades. A banda larga sem esse outro contraponto me parece mais um apelo eleitoreiro do que uma ação eficaz. Nas empresas, enquanto ainda houver a miopia corporativa que citei, não dá nem para pensar em vínculos sustentáveis com os públicos. É claro que, hoje, vemos exemplos de empresas que investem seriamente na criação desses vínculos de forma extremamente inteligente. Mas ainda são minoria.

Nós da Comunicação – Muitos estudiosos falam da importância de criarmos pontes entre as pessoas, eliminando confrontos. A comunicação, sobretudo a digital, é a melhor forma dessas pontes serem criadas?
F. V. –
Já é um bom começo. Mas não podemos achar que a internet é a panaceia universal. Ela vai ajudar e já está ajudando a qualificar a comunicação mundial. Está afetando a mídia globalizada e quebrando paradigmas do jornalismo mundial. Mas essas novas formas de comunicação ainda não foram completamente entendidas ou estudadas. Estamos adaptando constantemente nossa cognição a essa nova realidade. Acho que isso vai acabar gerando a demanda de criação de uma nova ciência específica que explique tudo isso.

Nós da Comunicação – Em sua opinião, por que efetivamente nos comunicamos?
F. V. –
A comunicação é intrínseca a todos os seres vivos. Faz parte de sua natureza. Sem comunicação não viveríamos. E não temos como escapar dela, pois estamos enviando mensagens o tempo todo. E aquele que faz de tudo para não se comunicar, já está falando muito sobre si mesmo.

Fonte: Nós da Comunicação

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